Estruturação de clínicas e serviços de saúde
Constituição e reorganização societária, entrada e saída de sócios médicos, responsável técnico, licenciamento sanitário e adequação regulatória.
Área de atuação
Clínica, consultório, laboratório e hospital são empresas, e das mais reguladas que existem. Além do risco assistencial, o setor concentra fiscalização sanitária, conselho profissional, operadoras de planos e um regime tributário próprio que quase sempre está sendo aplicado de forma menos vantajosa do que poderia.
Um serviço de saúde acumula camadas de regulação que poucos setores enfrentam ao mesmo tempo. Há a vigilância sanitária, que licencia e fiscaliza a estrutura física; o conselho profissional, que disciplina a conduta ética de quem atende; a agência reguladora e as operadoras, que definem contratos, tabelas e critérios de glosa; e a legislação tributária, que trata a atividade de forma bastante particular. Cada uma dessas frentes tem lógica própria, e todas incidem sobre o mesmo negócio.
A camada tributária é a que mais frequentemente está mal resolvida. No lucro presumido, serviços caracterizados como hospitalares têm percentuais de presunção reduzidos para IRPJ e CSLL, e a jurisprudência consolidou que o critério é a natureza do procedimento prestado, e não a existência de internação. No Simples Nacional, a mesma clínica pode ser tributada por anexos diferentes conforme a relação entre folha e receita. E há ainda o regime especial de ISS para sociedades de profissionais, cuja aplicação depende do enquadramento e costuma ser questionada pelos municípios. Definir isso corretamente é uma das decisões de maior impacto financeiro do setor.
A camada de risco assistencial exige outra disciplina: registro. Prontuário completo, termo de consentimento adequado ao procedimento, protocolo assistencial documentado e rotina de guarda são o que sustenta a defesa quando surge uma reclamação, no conselho ou no judiciário. Serviços que tratam documentação como burocracia descobrem tarde que ela era a própria prova.
Por fim, a relação com operadoras determina o caixa. Credenciamento, tabela, prazo de pagamento, critério de glosa e possibilidade de descredenciamento unilateral são cláusulas contratuais, e não fatalidades. Clínicas que acompanham glosas com método e recorrem dentro do prazo recuperam receita que, de outro modo, simplesmente não entra.
Quando nos procurar
Se você se reconhece em alguma delas, a conversa vale a pena, mesmo que a conclusão seja a de que ainda não é hora de agir.
Tipo societário, responsável técnico, licenças sanitárias e regime tributário precisam ser definidos juntos, e não em sequência.
Processo ético-disciplinar tem rito e prazos próprios, e a defesa começa na resposta inicial, não no recurso.
A defesa se constrói com prontuário, termo de consentimento e prova técnica. O que não está registrado, na prática, não aconteceu.
Contratos de credenciamento têm regras de reajuste, glosa e rescisão que nem sempre são cumpridas.
Serviços de saúde têm regimes específicos, e o enquadramento incorreto é um dos erros mais caros e mais comuns do setor.
O modelo é usual no setor, mas exige que o contrato corresponda à forma como o trabalho acontece na prática.
O que fazemos
Escopo definido por escrito antes de começar, com responsável, prazo e condições acordados.
Constituição e reorganização societária, entrada e saída de sócios médicos, responsável técnico, licenciamento sanitário e adequação regulatória.
Atuação em sindicâncias e processos ético-disciplinares no CRM e demais conselhos, em primeira instância e em grau de recurso.
Representação de médicos, clínicas e hospitais em ações indenizatórias, com organização da prova documental e acompanhamento da perícia.
Análise de contratos de credenciamento, discussão de glosas, reajustes, descredenciamento unilateral e cobrança de valores retidos.
Revisão de regime, enquadramento no Simples, análise de equiparação a serviços hospitalares e tratamento do ISS para sociedades de profissionais.
Adequação à LGPD, políticas de guarda e acesso a prontuário, telemedicina, termos de consentimento e limites da publicidade médica.
Orientação prática
Análises para compreender o problema antes da primeira conversa.
Perguntas frequentes
A legislação prevê percentuais reduzidos de presunção de IRPJ e CSLL para serviços hospitalares no lucro presumido, e os tribunais firmaram entendimento de que o critério é a natureza do serviço prestado, não a existência de leitos. Na prática, exige-se que a empresa esteja organizada sob forma empresária e atenda às normas sanitárias aplicáveis. É uma análise caso a caso, que depende do procedimento efetivamente realizado e da estrutura da clínica, e que precisa ser documentada antes, não depois de uma fiscalização.
A sindicância é a fase de apuração preliminar: o conselho verifica se há indício de infração ética para decidir se instaura o processo ético-profissional. A resposta apresentada nessa fase é decisiva, porque muitas denúncias são arquivadas ali. Envolver a defesa desde o primeiro ofício, com o prontuário organizado, costuma alterar o desfecho, e nada do que se diz nessa etapa pode ser desdito depois.
É prática usual no setor e lícita em diversas configurações, especialmente em plantões e serviços com autonomia técnica e ausência de subordinação. O risco aparece quando há escala imposta, exclusividade, remuneração fixa e controle típico de emprego. Como o reconhecimento de vínculo alcança também a esfera previdenciária, o modelo precisa ser desenhado, e praticado, de forma coerente com o contrato.
Frequentemente sim. Glosa exige motivação, e boa parte delas decorre de divergência de código, ausência de documento ou interpretação unilateral do contrato. O caminho começa pelo recurso administrativo dentro do prazo previsto no contrato de credenciamento; persistindo a retenção, cabe cobrança judicial. Clínicas que mantêm rotina de conferência e recurso recuperam volume relevante ao longo do ano.
Depende do vínculo e da natureza do serviço. Hospitais e clínicas podem responder por falha na prestação do serviço, e o profissional responde mediante demonstração de culpa, já que a obrigação médica é, em regra, de meio, e não de resultado, salvo em hipóteses específicas. Na prática, ambos costumam figurar na ação, e a defesa precisa considerar também a relação interna entre eles e a cobertura do seguro.
As normas do Conselho Federal de Medicina estabelecem prazo mínimo de guarda contado do último registro do paciente, admitida a digitalização com requisitos próprios de segurança e autenticidade. Além da exigência ética, o prontuário é a principal prova de defesa em qualquer discussão futura, o que torna a política de guarda e de acesso um assunto tanto regulatório quanto de gestão de risco.
Atuação local e nacional
A sede do Ciatos Jurídico fica no bairro Luxemburgo, em Belo Horizonte. Nesta área, atendemos clientes em Minas Gerais e em outros estados, presencialmente ou por canais digitais, com apoio local quando o caso exige.
Primeiro contato
A primeira conversa serve para entender o seu cenário e dizer, com honestidade, se temos como ajudar, e como.
Não com atendente e não com robô. Quem ouve o caso é quem vai conduzi-lo.
Entendemos o cenário completo, inclusive os números, antes de falar em honorários.
Você recebe o que será feito, por quem, em quanto tempo e por qual valor. Sem surpresa no meio do caminho.